Pular para o conteúdo principal

Deus É Pai




Quando o sol ainda não havia cessado seu brilho,
Quando a tarde engolia aos poucos
As cores do dia e despejava sobre a terra
Os primeiros retalhos de sombra
Eu vi que Deus veio assentar-se
Perto do fogão de lenha da minha casa
Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça
E buscou um copo de água no pote de barro
Que ficava num lugar de sombra constante.
Ele tinha feições de homem feliz, realizado
Parecia imerso na alegria que é própria
De quem cumpriu a sina do dia e que agora
Recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe.
Eu o olhava e pensava:
Como é bom ter Deus dentro de casa!
Como é bom viver essa hora da vida
Em que tenho direito de ter um Deus só pra mim.
Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos,
Puxar a caneta do seu bolso
E pedir que ele desenhasse um relógio
Bem bonito no meu braço
Mas aquele homem não era Deus,
Aquele homem era meu pai
E foi assim que eu descobri
Que meu pai com o seu jeito finito de ser Deus
Revela-me Deus com seu
Jeito infinito de ser homem.

(Fábio De Melo)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Louc@s e Sant@s

Bem por aí mesmo... "Tenho amigos para saber quem sou", e para não esquecer quem sou e também para lembrá-los de quem eles são". Por isso as lembranças são tão vivas e os momentos juntos tendem a ser singulares. Feliz dia d@ amig@! Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previ...

Sal (dade)

Só quem é do mar que sabe Que é de lá que vem a energia É do mar a brisa que contagia  O sopro leve a tocar o rosto O sabor forte que dá o gosto A medida certa que a alma cabe Com licença poética: Saldade . Trocando em miúdos contemporâneos e pergunta retórica: Saudades de uma praia, né minha filha? Junho/2020 - Quarentena.

Amizade Colorida

Uma complicada linguagem. Desde quando amizade tem cor? Cresci ouvindo que amizade é um sentimento que não podemos tocá-lo, apenas sentí-lo. Para mim a amizade sempre foi uma só, uma relação de companheirismo e cumplicidade. Uma relação onde ambos estendem as mãos e dispõem de apoio. Essa tal de amizade colorida acaba transformando a amizade num jogo, apesar de todo jogo ter regras, não sei dizer se nessa “nova” amizade deve ter, ou se é mais amigos aqueles que mais amigos conseguirem ter. Será que envolve sentimento? Afinal de contas amigo é amigo, e pode acabar por perder um ao confundir o que se sente.