Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de maio, 2012

Felicidade remota

Andávamos de mãos dadas Faz tempo mas a gente sente Quando nossa canção toca Quando a insônia insiste As lembranças resistem e o passado logo volta Lembra? Da música sempre em pauta Meus pés na ponta dos dedos Nossa felicidade em segredo Nossas mãos dadas Numa mesma direção Hoje seguem afastadas Escolhas do coração Nossa felicidade em segredo Hoje é apenas recordação Palavras guardadas Perguntas sem respostas Uma felicidade remota

50receitas

Eu respiro tentando Encher os pulmões de vida Mas ainda é dificil Deixar qualquer luz entrar... Ainda sinto por dentro Toda dôr dessa ferida Mas o pior é pensar Que isso um dia Vai cicatrizar... Eu queria manter Cada corte em carne viva A minha dôr Em eterna exposição E sair nos jornais E na televisão Só prá te enlouquecer Até você me pedir perdão... Eu já ouvi 50 receitas Prá te esquecer Que só me lembram Que nada vai resolver Porque tudo Tudo me traz você E eu já não tenho Prá onde correr... O que me dá raiva Não é que você fez de errado Nem seus muitos defeitos Nem você ter me deixado Nem seu jeito fútil De falar da vida alheia Nem o que eu não vivi Aprisionado em sua têia... O que me dá raiva São as flôres E os dias de sol São os seus beijos E o que eu tinha Sonhado prá nós... São seus olhos e mãos E seu abraço protetor É o que vai me faltar O que fazer do meu amor?... Eu já ouvi 50 receitas...

Mãe, eu lembro de você.

Já faz um tempo que sua voz calou-se, mas o seu riso permanece em nossa memória.Como uma gravação permanente, algo para ficar na história. Guardo na lembrança como você ria de bobagem, ria até perder as forças. Dava asas à curiosidade. Tentando sempre manter-se antenada a tudo que acontecia à sua volta. Nada podia passar despercebido. Você pedia que pentiasse-lhe os cabelos que e depois fizesse um belo penteado nos seus poucos fios de cabelo, prendendo com um tic-tac. Eu lembro de você! Toda vez que cruzo a casa e vejo sua cadeira vazia. Casa essa que já foi morada de muita alegria, e que hoje quase vazia, possui um silêncio fúnebre. Eu lembro de você , quando recordo-me de algo e rio sozinha. Como você fazia. Lembro também da tarde seguinte da sua partida, o céu em tom amarelado e o sol um tanto entristecido, escondia-se. Lembro que sua falta recente mim causava febre e agora já é saudade conhecida. Um campo doído do coração. Sem rodeios, só queria dizer sem propagação. As vezes ...

Soneto: Só quem sabe ser só

Só quem sabe ser só pode escolher Mais acertadamente o caminho, Pois muito pior que estar sozinho É ver toda uma vida se perder Na ânsia de preencher o vazio, Cabeceando a parede dura, Distanciando-se mais da cura, Vagando cego no ocaso frio. Só quem sabe ser só pode entender Que o amor é raro: pérola negra; Que o amor é belo: escultura grega; Para tê-lo não basta só querer. Quem não sabe ser só, pensando bem, Não fará boa companhia a ninguém. Frederico Salvo.