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Mãe, eu lembro de você.

Já faz um tempo que sua voz calou-se, mas o seu riso permanece em nossa memória.Como uma gravação permanente, algo para ficar na história. Guardo na lembrança como você ria de bobagem, ria até perder as forças. Dava asas à curiosidade. Tentando sempre manter-se antenada a tudo que acontecia à sua volta. Nada podia passar despercebido. Você pedia que pentiasse-lhe os cabelos que e depois fizesse um belo penteado nos seus poucos fios de cabelo, prendendo com um tic-tac. Eu lembro de você! Toda vez que cruzo a casa e vejo sua cadeira vazia. Casa essa que já foi morada de muita alegria, e que hoje quase vazia, possui um silêncio fúnebre. Eu lembro de você, quando recordo-me de algo e rio sozinha. Como você fazia. Lembro também da tarde seguinte da sua partida, o céu em tom amarelado e o sol um tanto entristecido, escondia-se. Lembro que sua falta recente mim causava febre e agora já é saudade conhecida. Um campo doído do coração. Sem rodeios, só queria dizer sem propagação. As vezes é difícil mãe, segurar a emoção.


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