Lembro que eu acordava cedinho, sempre ao som de um programa
qualquer da rádio local. Ainda ouvia o cantar dos galos na vizinhança. Mas
fazia questão de ir com ele comprar o lanche, mesmo naquela hora, dia após dia.
Subia na sua bicicleta, e apoiava meus pés no círculo que tinha no meio do seu
quadro. íamos o caminho todo cantando, enquanto ele beijava a minha cabeça. Eu
cabia perfeitamente naquele espaço, cabia perfeitamente nos seus braços.
Sentia-me a pessoa mais protegida do mundo! Até que a infância passa, a gente
cresce e muita coisa muda. Como por exemplo o lugar que passei a andar na sua
bicicleta. Já não andava na frente porque acabaria atrapalhando o seu campo de
visão. Já não dava para pousar meus pés no quadro e então passei a entender que
precisava ajuda-lo a pedalar. É, quando a gente cresce, muitas coisas mudam. E
as vezes os papéis se invertem. Foi quando fui capaz de compreender que o cuidador também precisa ser cuidado. São tantos os bons momentos, lembro de cada noite que eu só dormia com
ele do meu lado balançando a minha rede. Cada passeio de bicicleta que me fazia
a criança mais livre e protegida. Cada vez que corria pro seu lado
para me proteger da minha mãe quando fazia algo errado e ele fazia uma barreira
com o próprio corpo. Com isso chego a conclusão que crescer pode ser chato, mas
também pode ser muito prazeroso guardar tantas histórias, não? Sou grata a
Papai do céu porque com tanto homem no mundo, VOCÊ é o meu Pai. Parabéns, ZÉ!!
=*
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