Casaram-se aos 30, tiveram 7 filhos, perderam um de forma brutal ainda aos 17, criaram um neto com amor igual. Aos demais carinho não faltou. Formaram uma grande família, com uma mesa de tamanho proporcional e cheia de alegria, principalmente quando o relógio marcava meio dia. Lembro que uma vez, ainda menina, me queimei com a cuscuzeira quente ao subir em cima da mesa por pura teimosia. E "dava gosto" de ver aquela casa movimentada, fazia bem para o coração o aconchego daquele lar, criado com tanto amor e mantido com muito bom humor. Sustentado pela força bruta, com honra e o suor do trabalho que só quem é honesto conhece. Não me lembro de vê-los brigar, de vê-lo levantar sua voz pra ela. Pelo contrário, tenho lembranças vivas das vezes que ela o "tirava de tempo" chamando-o de orelha de papelão. E se divertia a beça a ponto de molhar as calças. Impossível não lembrar dos cuidados dele para com ela, cumprindo com dedicação e amor o "até que a morte nos separe". Ele preenchia os silêncios da casa com música. Nesse dia da foto muito celebrado e registrado reuniram amigos e toda a família para comemorarmos juntos mais um ano de matrimônio. Uma aliança entre os homens e abençoada por Deus. Um amor e uma dedicação do tipo que não dá para mensurar, nem transcrever em palavras. Nosso maior exemplo, porque se isso não for amor, eu nunca mais irei conhecê-lo.

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